10/07/2009

Pelo sabor de ouvir Zélia Duncan


Sutil, apaixonante e, simplesmente, formidável. Boas razões para ouvir o novo disco de Zélia Duncan. “Pelo sabor do gesto”, faixa 6 do álbum, traz uma cantora que cada vez está mais madura, experimenta novos sons e ritmos envolventes.

Compositores desconhecidos do popular, com alguns muito interpretados por Zélia (caso de “Duas Namoradas”, de Itamar Assumpção), a temática do trabalho da artista é o amor. O amor que é correspondido, o mesmo amor em que cabem todos os verbos do mundo, a ambição de encontrar a alma gêmea, tocado pelo sabor do gesto, entre outras casualidades do dia-a-dia como também descobrir tudo em 24 horas, uma semana e até 365 noites.

É decididamente um álbum que tem começo, meio, mas não tem fim, pois, “Nem tudo que acaba aqui deixa de ser infinito”. Após ouvir bastante o disco deixo minhas impressões de cada música:

Boas Razões: A faixa que abre o disco é arrebatadora. Um ritmo que ainda não tinha ouvido Zélia experimentar. A canção mostra que não tem nada de pré pós tudo bossa band e sim uma sonoridade que ZD e Fernanda Takai investem a voz para entrar na temática do amor.

Todos os verbos:Errar é útil, sofrer é chato”. Nessa música a temática já está estabelecida e o contato entre ouvinte e artista já foi feito. Senti uma certa continuidade e conexão com a música “Boas Razões”. “Todos os verbos” mostra que o ‘amar’ é ligado aos outros verbos como errar, sofrer, odiar, entre outros.

Telhado de Paris: Melodia doce e arranjos mântricos. Tem elementos da natureza e coloca em nossas mentes uma paisagem única, que cada um imagina na memória.

Tudo sobre você: Quem não gostaria de descobrir em 24 horas tudo o que o (a) amado (a) adora, tudo que o (a) faz feliz e em um fim de semana tudo o que ele (a) ama e no prazo de um mês tudo o que ele (a) já fez? Os desejos são expressos nesta canção em rimas excelentes.

Sinto encanto: “Eu ouço sobre o amor e me calo. Eu não quero nem saber o que me espera”. Mais uma vez o amor é tratado com carinho nesta música e deixa uma lição “Ninguém sabe tudo, nada é perfeito”. Apesar de tudo, Zélia canta e sente encanto.

Pelo sabor do gesto: Zélia se refere nessa música, novamente, ao amor ser tocado pelo sabor do gesto e ao “morder fundo a maçã”. Numa análise livre podemos dizer que a maçã é o fruto do amor, tendo em vista que nas mais variadas festas e parques de diversão, geralmente próximo à roda gigante, sempre há um carrinho com “maçã do amor”.

Ambição: Música forte escrita por Rita Lee. Também o amor toma conta de toda a letra, mas “nem tudo são flores”. É necessário para viver bem um grande amor, dinheiro, fazer ‘um pouco de tudo’ para assim ‘ganhar o mundo’.

Esporte fino confortável: O amor nesta música é tratado como o sentimento entre amigos de verdade, principalmente no verso “Amizade que é amizade intima rima com intimidade”. Quem não tem um amigo que realmente ama? Quem nunca amou um amigo? Quem irá dizer que no futuro não haverá um amigo para amar? Porque amizade é um “esporte fino confortável”.

Os dentes brancos do mundo: “Compre seu sonho em vida sorrindo/veja os dentes brancos do mundo ei/eu me aposentei desta vida/e dirijo empresa de sonhos”. Apenas voz e violão. É uma irmã-gêmea de “Pelo sabor do gesto”.

Se eu fosse: Metáforas, comparações ou qualquer coisa que você possa definir. “Se eu fosse”, Zélia relaciona os mais variados estilos musicais (por qual já passou ou mesmo ouvia quando criança) para relacionar a busca pela alma gêmea: rock, modinha, forró, maxixe, canção, letra de música e até os grandes “Bach” e “Beethoven”.

Aberto: Zélia revive nesta canção um estilo já adotado em outros discos – o pop/rock. Letra pequena, simples e que o coração ficará aberto para a pessoa amada “apesar da chuva, apesar da rua, apesar da hora, apesar dos pesares”.

Se um dia me quiseres: Música com qualidade a la Zeca Baleiro. Só conferindo pra comprovar o ótimo resultado.

Duas namoradas: Canção de Itamar Assumpção. Nela, Zélia lembra que a música e a poesia são suas “duas namoradas” também. A bigamia é justa e esclarecida durante toda a letra. Porque é impossível separá-las.

Nem tudo: A faixa que encerra o disco, não o encerra na verdade. Deixa um “que” de continuidade. Começa com som de violão e estalar de dedos e deixa a mensagem “Nem tudo que acaba aqui, deixa de ser infinito”. Afinal, se “nada” é pra sempre “tudo” não deixa de ser infinito.

2 comentários:

fatima disse...

Ótima análise do cd da Zélia Duncan, tive a oportunidade de ver o show de estréia em Niterói e está maravilhoso!

andreza_passoni disse...

Nossa, já vai fazer 1 mês que tenho este cd, uns dos melhores cds que eu já ouvi...
Recomendo...