19/08/2009

‘Chiaroscuro’ – um disco adorável


Não é 8 nem 80 e nem 256tonsdecinza. Chama-se ‘Chiaroscuro’ o terceiro disco de estúdio da roqueira baiana Pitty, que é adorada, mas também odiada por muitos. Ela surge com som diferente e maneiro em seu novo trabalho, com 11 músicas inéditas que, se bem exploradas, pode mudar a opinião de muitos críticos de plantão.

A começar pelo primeiro single. “Me Adora” chegou recentemente às rádios e também é um dos vídeos mais assistidos no youtube. Na canção, a artista começa contando que viveu muitas ilusões (tantas decepções eu já vivi / aquela foi de longe a mais cruel). O barato é que não sabemos qual é ‘aquela decepção cruel’ tão cantada e conclamada na música e isso se encaixa em várias situações do cotidiano humano. Afinal, quem nunca passou por várias decepções e elegeu as mais cruéis pelo qual já passou?

Continuo citando “Me Adora” porque é a coqueluche do momento. A letra é relativamente fácil de ser compreendida, mas, quando ouvida pela primeira vez, pode causar estranhamento no refrão. Sim, estamos falando do ‘foda’ incluído na letra da música (Que você me adora / que me acha foda / não espere eu ir embora pra me dizer).

Quando ouvi pela segunda vez percebi que tinha ‘algo a mais’ a ser desvendado pela letra. E realmente tem. A letra, para mim, surtiu um significado interessante. Até que ponto uma pessoa dá valor à outra? Geralmente, damos mais importância quando ela não está entre nós (separada ou morta). Por não dar o braço a torcer, não dizemos no momento certo que adoramos a pessoa que está para partir.

Mas não só de “Me Adora” é composto o novo trabalho de Pitty. O CD fala de sentimentos, valores e ações próprias do ser humano. É composto por “8 ou 80” que dá início ao disco com um rock de ‘aquecimento’ para as outras dez canções. “Medo” vem um pouco mais agressivo e levanta a questão humana de simplesmente ‘sentir medo de ter medo’.

O medo, se chega ao seu extremo, pode levar às lágrimas. Para isso “Água contida” resume um pouco deste momento que pode ser patético, porém, necessário: Então sai, deixa correr /Toda a água contida /Então sai, deixa correr / Toda mágoa velada é água parada / E uma hora transborda.

Duas músicas que se destacam em ‘Chiaroscuro’ são “Fracasso” (Vive tão disperso olha pros lados demais / Não vê que o futuro é você quem faz porque o fracasso lhe subiu a cabeça) e “Desconstruindo Amélia” (Hoje aos 30 é melhor que aos 18 / Nem Balzac poderia prever / Depois do lar, do trabalho e dos filhos / Ainda vai pra nigth ferver). A segunda canção é uma ‘atualização’ da Amélia (aquela que era mulher de verdade). Em nenhum momento este nome é citado, apenas foi nomeado desta forma.

Outros discos e análise final
“Admirável Chip Novo”, primeiro disco da cantora, teve um estilo que a lançou para o sucesso. “Anacrônico” consolidou a artista dentro do cenário do rock de uma forma ‘arretada’.

“Chiaroscuro” não é, no momento, o melhor disco da carreira de Pitty porque ainda não foi explorado em sua totalidade. Mas tem conteúdo suficiente para provar que uma mulher pode levantar o rock brasileiro em grande estilo.

O disco mostra também a capacidade de poder inovar nas letras sem se preocupar com o consumismo e se as letras vão ‘pegar’ fáceis na língua das pessoas e grudar como chiclete ruim de ser mastigado. CD bom é composto por qualidade nas letras, sonoridade e capacidade de transmitir pensamentos. Tudo isso é passado pela roqueira. Já é um ótimo começo para um novo trabalho.

10/07/2009

Pelo sabor de ouvir Zélia Duncan


Sutil, apaixonante e, simplesmente, formidável. Boas razões para ouvir o novo disco de Zélia Duncan. “Pelo sabor do gesto”, faixa 6 do álbum, traz uma cantora que cada vez está mais madura, experimenta novos sons e ritmos envolventes.

Compositores desconhecidos do popular, com alguns muito interpretados por Zélia (caso de “Duas Namoradas”, de Itamar Assumpção), a temática do trabalho da artista é o amor. O amor que é correspondido, o mesmo amor em que cabem todos os verbos do mundo, a ambição de encontrar a alma gêmea, tocado pelo sabor do gesto, entre outras casualidades do dia-a-dia como também descobrir tudo em 24 horas, uma semana e até 365 noites.

É decididamente um álbum que tem começo, meio, mas não tem fim, pois, “Nem tudo que acaba aqui deixa de ser infinito”. Após ouvir bastante o disco deixo minhas impressões de cada música:

Boas Razões: A faixa que abre o disco é arrebatadora. Um ritmo que ainda não tinha ouvido Zélia experimentar. A canção mostra que não tem nada de pré pós tudo bossa band e sim uma sonoridade que ZD e Fernanda Takai investem a voz para entrar na temática do amor.

Todos os verbos: “Errar é útil, sofrer é chato”. Nessa música a temática já está estabelecida e o contato entre ouvinte e artista já foi feito. Senti uma certa continuidade e conexão com a música “Boas Razões”. “Todos os verbos” mostra que o ‘amar’ é ligado aos outros verbos como errar, sofrer, odiar, entre outros.

Telhado de Paris: Melodia doce e arranjos mântricos. Tem elementos da natureza e coloca em nossas mentes uma paisagem única, que cada um imagina na memória.

Tudo sobre você: Quem não gostaria de descobrir em 24 horas tudo o que o (a) amado (a) adora, tudo que o (a) faz feliz e em um fim de semana tudo o que ele (a) ama e no prazo de um mês tudo o que ele (a) já fez? Os desejos são expressos nesta canção em rimas excelentes.

Sinto encanto: “Eu ouço sobre o amor e me calo. Eu não quero nem saber o que me espera”. Mais uma vez o amor é tratado com carinho nesta música e deixa uma lição “Ninguém sabe tudo, nada é perfeito”. Apesar de tudo, Zélia canta e sente encanto.

Pelo sabor do gesto: Zélia se refere nessa música, novamente, ao amor ser tocado pelo sabor do gesto e ao “morder fundo a maçã”. Numa análise livre podemos dizer que a maçã é o fruto do amor, tendo em vista que nas mais variadas festas e parques de diversão, geralmente próximo à roda gigante, sempre há um carrinho com “maçã do amor”.

Ambição: Música forte escrita por Rita Lee. Também o amor toma conta de toda a letra, mas “nem tudo são flores”. É necessário para viver bem um grande amor, dinheiro, fazer ‘um pouco de tudo’ para assim ‘ganhar o mundo’.

Esporte fino confortável: O amor nesta música é tratado como o sentimento entre amigos de verdade, principalmente no verso “Amizade que é amizade intima rima com intimidade”. Quem não tem um amigo que realmente ama? Quem nunca amou um amigo? Quem irá dizer que no futuro não haverá um amigo para amar? Porque amizade é um “esporte fino confortável”.

Os dentes brancos do mundo: “Compre seu sonho em vida sorrindo/veja os dentes brancos do mundo ei/eu me aposentei desta vida/e dirijo empresa de sonhos”. Apenas voz e violão. É uma irmã-gêmea de “Pelo sabor do gesto”.

Se eu fosse: Metáforas, comparações ou qualquer coisa que você possa definir. “Se eu fosse”, Zélia relaciona os mais variados estilos musicais (por qual já passou ou mesmo ouvia quando criança) para relacionar a busca pela alma gêmea: rock, modinha, forró, maxixe, canção, letra de música e até os grandes “Bach” e “Beethoven”.

Aberto: Zélia revive nesta canção um estilo já adotado em outros discos – o pop/rock. Letra pequena, simples e que o coração ficará aberto para a pessoa amada “apesar da chuva, apesar da rua, apesar da hora, apesar dos pesares”.

Se um dia me quiseres: Música com qualidade a la Zeca Baleiro. Só conferindo pra comprovar o ótimo resultado.

Duas namoradas: Canção de Itamar Assumpção. Nela, Zélia lembra que a música e a poesia são suas “duas namoradas” também. A bigamia é justa e esclarecida durante toda a letra. Porque é impossível separá-las.

Nem tudo: A faixa que encerra o disco, não o encerra na verdade. Deixa um “que” de continuidade. Começa com som de violão e estalar de dedos e deixa a mensagem “Nem tudo que acaba aqui, deixa de ser infinito”. Afinal, se “nada” é pra sempre “tudo” não deixa de ser infinito.

28/06/2009

Michael: Ritmo, voz e muitas histórias para cantar

“Uh!”. Talvez esse grito seja um dos mais famosos ecoados pelo rei do pop que nos deixou na última semana e, agora, descansa após uma vida muito cansativa, com acusações que não foram provadas, mas também não foram esquecidas.

Com a morte de Michael Jackson veio em minha mente um rápido filme de sua vida enquanto pude acompanhá-lo. Começou cedo nos palcos da vida ao lado dos irmãos e depois seguiu carreira solo. A música foi a melhor parceira durante toda trajetória do astro. E que qualidade de canções desde cedo. Se citarmos todas que mexem com a mente e o coração dos fãs faltará espaço nesse post. Algumas que posso citar são os hits Billie Jean, Beat It, Black or White, Thriller, Bad, Say Say Say e Rock with you.

Lembro-me que quando criança conheci Michael Jackson por meio dos jogos de videogame. O leitor provavelmente lembra do jogo “Michael Jackson’s Moonwalker”. Eu adorava passar tardes e noites salvando as crianças em cada cenário de seus clipes contra o mal. Seus golpes eram os próprios passos de dança e o andar era sempre coreografado. Na época uma inovação e tanto da Sega.

Nas pistas de dança quem nunca arriscou alguns passos? Eu mesmo já fiz isso muitas vezes quando ia nas boates e casas noturnas. Lembro também que a pista fervia no momento que vinham as melhores músicas dos tempos de auge de Michael.

Mesmo sendo tão famoso, contagiando tantas pessoas em todo o mundo, a morte não era prevista para este momento. Michael tinha anunciado uma série de shows para pagar suas dívidas e mostrar que ainda tinha muito que viver. Mas, os espetáculos não aconteceram e no lugar uma comoção geral em todo o mundo tomou conta do atual cenário. Não houve crise que impediu fãs de aumentarem em mais de 40% a venda de artigos como CDs e DVDs de MJ.

Todos querem ficar com a última lembrança do artista: a lembrança do astro que mudou a forma de fazer música pop e influenciou tantos e tantos artistas do planeta com música, ritmo e vontade de viver. You are not alone!

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race
There are people dying
If you care enough for the living
Make it a better place
For you and for me

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

(Heal the world - Michael Jackson *1958 +2009)

19/06/2009

O valor da minha graduação em jornalismo

Terminei minha graduação em jornalismo em dezembro do ano passado. Se for lembrar dos momentos que tive na faculdade rende até um livro com boas histórias que vou levar sempre na memória. A universidade realmente é o local onde passei os melhores momentos da minha vida até agora. Junto com ela, tive o prazer de aprimorar meus conhecimentos realizando estágio na Assessoria de Imprensa de São Sebastião. Após minha formação tive minha colação de grau em janeiro deste ano e, logo após, consegui fazer dois freelancers para uma revista e hoje integro a Assessoria de Comunicação de Caraguá.
Formei-me cedo, tenho 21 anos, e meu MTB já está praticamente para sair. Tamanha alegria em atuar na minha área logo após formado, fazendo o que gosto e o que aprendi em quatro anos de estágio e na universidade, foi abalada na última quarta-feira quando o STF deu um duro golpe no meu estômago.
Não é mais obrigatório o diploma de jornalismo. E agora? Que valor terá o diploma que a faculdade vai emitir pra mim entre agosto e setembro deste ano? Que valor os juízes (exceto um) atribuíram às cinco horas diárias de viagens que eu tive de São Sebastião para Mogi das Cruzes, além do estágio que eu fazia na prefeitura? Que valor foi dado para as poucas horas de descanso que me sobraram?
Mesmo com tantos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, que deseja se encontrar em uma profissão ou obter o título de graduação, alcancei um degrau que muitos ainda não pisaram ou talvez nem pisem.
Também tive outros momentos que levarei para sempre em minha mente: as discussões salutares em sala de aula, as conversas com os professores, a criação de jornais, revistas, sites e até um livro-reportagem.
A partir de todos esses treinos acadêmicos, meu objetivo sempre foi escrever muito bem e procurar, como Truman Capote dizia buscar, a verdadeira arte. Não sou artista e sim jornalista. Refletindo a verdade para propor interpretações e sugerir alternativas para a sociedade.
Mas não. Eu estava errado! Após a decisão do STF decidi qual é a minha missão. É cozinhar. Em vez de um livro de memórias em tom de jornalismo literário ou mesmo minha sonhada pós-graduação em jornalismo cultural vou me especializar em massas, bolos, tortas e afins. E ao contrário do que o Sr. Ministro pensa, pra eu saber cozinhar tudo isso também preciso de cursos. Existem cursos de gastronomia. Mas o STF sabe (na prática) como fazer uma pizza.

07/06/2009

Defendendo o diploma

Hoje vou me dedicar a divulgar uma campanha muito importante e de forma gratuita...

É um absurdo como ainda hoje discutimos coisas tão patéticas e tão óbvias ao mesmo tempo. Discutir a obrigatoriedade do diploma é uma delas. A FENAJ enviou um informativo a todos os cadastrados no mailling (como eu) chamando a sociedade para que nosso diploma após quatro anos de faculdade não tenham sido em vão.


Diz o texto: O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá julgar a obrigatoriedade do diploma no Jornalismo. A pauta foi incluída como primeiro ponto da sessão, e só deverá ter o julgamento adiado se o ministro Marco Aurélio incluir o caso do menino Sean - cuja guarda está sendo reivindicada pelo pai nos Estados Unidos.


Este ataque frontal à regulamentação da profissão e à qualidade do Jornalismo brasileiro teve início em 2001, a partir do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo A juíza Carla Rister concedeu liminar suspendendo a exigência do diploma para a obtenção de registro profissional e obrigou o Ministério do Trabalho e Emprego a fornecer registro de jornalista, ainda que precário, a qualquer pessoa que o solicitasse.


Ora, se o diploma é primordial para qualquer profissão por que no jornalismo tem que ser diferente? O canudo deve ser obrigatório para o exercício do jornalismo, ele não é um rótulo, ele é um símbolo representativo de conteúdo durante o tempo que o aluno passou na faculdade, do que investiu, de que se arriscou nas estradas, do dinheiro que gastou com alimentação, moradia, livros, xexox e muito mais. É um afronta para a comunicação social.


Dia 10 jornalistas e simpatizantes dos profissionais de imprensa, fiquem atentos porque a forma de se fazer comunicação vai mudar profundamente, para melhor ou pior. É esperar pra ver.