28/12/2008

Um circo para gente grande



Posto este texto ouvindo “Circus”, último álbum de Britney Spears, que a julgar pela sonoridade me atraiu muito mais do que os outros trabalhos da “princesinha do pop”. Não há como negar que a estrela acertou ao colocar “Womanizer” como hit de abertura do disco e também primeiro single de lançamento do trabalho.
“Womanizer”, ao meu ver, chega a ser repetitivo por muito tempo em seu chorus, mas nada que mude o estilo adotado por Britney em sua carreira pop. “Womanizer” é um hit doce e que grudou fácil na boca dos fãs como chiclete. E coisas doces existem na vida, assim como em qualquer circo que nos deliciamos com várias doçuras.
Backing Vocals mecânicos já são marcas de Britney e não poderiam faltar no CD de Britney. Eles estão presentes com pouco ou muito uso em “If U seek Amy”, “Unusual You”, “Mmm Papi” e “Radar”, que vem [repetida] como bônus track e em nova versão.
A julgar pelas traduções das músicas, prefiro que cada um as procure. A impressão que fica é que a colegial de “Baby one more time” atacou desta vez como “a mocinha do arame”. Sua temática sensual [e sexual] continua em um picadeiro que não há fronteiras para explorar assuntos como a famosa posição “papai e mamãe” em “Mmm Papi”.
“Circus” é um disco que deve ser explorado por Britney em sua totalidade. Deve ser utilizado como instrumento de ascensão da princesinha que passou por um grave período de queda de vendagem de CDs, problemas judiciais e um verdadeiro circo dos horrores. Que seu “Circus” proporcione alegrias aos fãs e também consiga muitos aplausos pelas turnês pelo mundo.

27/12/2008

O eterno Capital



Não podemos julgar as pessoas pela cor e nem pelo modo de se vestir, mas também não podemos medir pelo jeito com que fala com o público mesmo que utilize palavras de baixo calão em alguns intervalos e se impressione com a quantidade de fãs que lotam o espaço reservado para o show. Esse conceito que formulei após sair de um show do Capital Inicial dentro da turnê “Multishow ao vivo”, a mais recente da banda liderada pelo vocalista Dinho Ouro Preto.
Um grande palco com cenário quente. Quente pelas ilustrações que remetem a um verdadeiro show de rock e quente pelas suas letras e também pelas labaredas que escapam em mais um efeito especial preparado para levar os fãs ao delírio. Eles [os fãs] querem sempre mais. E Dinho atende. Sua capacidade para entreter o público é muito grande e faz com que o coro de pessoas levante as mãos e remeta todos lembrarem de seus primeiros erros mesmo que seus corpos e mentes virem sol.
Eles [os integrantes] vêm de uma época de que os jovens procuravam independência e conseguiram esse direito. Com ou sem olhos vermelhos, acompanhados até hoje da Natasha sob a proteção de Fátima, Dinho e os integrantes que compõem o Capital Inicial conquistaram seu público fiel e prometem muita música urbana por gerações e gerações.

25/12/2008

The Madonna’s Game


Madonna foi embora do Brasil. Ela ficou em terras tupiniquins tempo suficiente pra deixar fãs e pseudo-fãs ensandecidos com a presença da estrela. Ela fez de tudo: beijou uma bailarina, cantou e dançou seus principais sucessos, vestiu uma camisa da seleção brasileira com o seu nome e o número 10, oferecida pelo governador do Rio de Janeiro durante a passagem da cantora pela terra carioca.

Rain! Feel it on my finger tips
Hear it on my window pane
Your love is coming down like
Rain! Wash away my sorrow
Take away my pain
Your love's coming down like, rain

A chuva foi a grande inimiga de Madonna. Nos dois Estados em que ela esteve as lágrimas das pessoas que não conseguiram comprar ingressos, ou não puderam ir (como eu) por inúmeros motivos justificáveis, foram representadas pelas águas mandadas por São Pedro e cia. E a chuva alagou Sampa. A terra da garoa fez jus ao nome em tempos de aquecimento global.

We only got 4 minutes, 4 minutes
Tick tock tick tock tick tock


Madonna distribuiu em blocos as músicas de toda a sua carreira em “Sticky and Sweet”, a turnê mais bem produzida que já foi vista com canções de seu último álbum [Hard Candy] e de muitos outros. Linguagens do cinema estiveram presentes com músicas em vídeo, mas, acima de tudo mostrando que ela continua no topo.


O grande jogo de Madonna é mostrar como a vida pode ser prazerosa olhando sempre pelo lado bom de cada fator. Polêmicas são naturais, afinal, o que uma mulher com 50 anos não tem o que contar? Já foi crucificada, açoitada e elevada à rainha do pop. Título que não perde tão cedo.

21/12/2008

Traiu ou não traiu?

Reprodução Rede Globo











A Rede Globo está de parabéns pela minissérie “Dom Camurro” que retratou todo o sofrimento de Bentinho desde o primeiro capítulo. No entanto, apesar da emissora valorizar o texto de nosso eterno Machado de Assis (que não é o narrador da história), o foco das chamadas para a atração ficou na “traição ou não de Capitu”.
Claro que essa é a grande dúvida que prega a história, mas não deixemos de analisar também outros recursos visuais e literários presentes na obra. Por exemplo: Capitu é muito à frente de seu tempo na obra e até na minissérie, com destaque para uma tatuagem no braço da atriz, Letícia Persiles, que faz a Capitu moça.
Capitu em um momento fala para Bentinho “se fores padre vais realizar meu casamento? E batizar meu primeiro filho?”. É a prova de que a mulher do século XIX não quer ser mais submissa ao marido. A questão religiosa é colocada em xeque também, além da vida cultural no Rio de Janeiro que começa a desenrolar de forma fantástica na cidade.
Quem viu esta adaptação para a TV e não gostou certamente não leu a obra. Foi o que concluí. Eu vi e adorei. Acompanhei os capítulos com uma edição de Dom Casmurro nas mãos e os nomes e textos foram retratados fielmente. Outras pessoas com quem conversei também gostaram, mas tinham lido a obra. As que não gostaram nem do primeiro capítulo revelaram para mim que não leram o livro.
Dom Casmurro é ainda um dos maiores mistérios da literatura brasileira. Alguns ainda inocentam Capitu. Outras a culpam. Mas Bentinho também se mostra como culpado em algumas situações da trama. E a mãe que a todo custo o quer num seminário devido a uma promessa feita antes de nascer? Promessa paga pelo milagre atribuído aos santos.
“Capitu” deve ser o pontapé inicial para que mais diretores divulguem a obra de Machado de Assis e tantos outros clássicos e autores da literatura brasileira que merecem maior reconhecimento dos brasileiros do que os estudiosos de outros países. Machado hoje é mais conhecido pelas suas obras no exterior do que no próprio Brasil. Isso é bom, mas tem sempre um lado desta história que não é...

09/11/2008

Fuga

Querido amor você não queria ser livre?
E querido amor você não queria uma proposta?
Esqueça esta vida
Viaje comigo
Não tenha medo do que possa acontecer
Eu protegerei você até o fim de nossos dias
O amor que existe em nós

E no fim do dia
Nós estaremos a caminho
Pra qualquer lugar
Onde o amor é mais que apenas o seu nome

Nosso amor profundo
Nosso amor sobrenatural
Nosso amor eterno
Capaz de superar tudo

Não ligue para o que os outros digam
Apenas esteja comigo

Vamos partir
Entre os vales e as montanhas
Repousaremos na relva verde da esperança
E sob flores vermelhas do nosso amor

30/10/2008

Mensageiros do swing


Uma noite destas em que gostaria de adquirir um pouco mais de conhecimento sobre novas bandas e grupos que geralmente não são muito reconhecidas pelo público porque a mídia não os explora, fui para a Praça de Eventos da minha cidade conferir a apresentação do “Funk Como Le Gusta”, uma big band que leva o funk como sua maior bandeira.
A noite estava agradável. Tinha chovido duas horas antes do grupo entrar no local, mas que nem molharam o chão da Praça de Eventos. Eis que entram várias pessoas vestidas de vermelho com as iniciais FCLG bordadas nas blusas e muitos instrumentos como teclados, guitarras e metais.
Os metais dão o tom para 90% das canções executadas pelo grupo. O Funk como Le Gusta tem um som muito agradável e é muito mais do que “Meu guarda chuva”. É qualidade cultural e musical de “16 toneladas” em que Reginaldo resume isso muito bem: ‘Quem não gosta de samba não gosta de nada’.
O samba executado não tinha passos coreografados pelos integrantes que dublam a voz em vários programas de TV (perdoem-me, mas isso é pagode), nem o funk das “preparadas”, “cahorras” e “tigrões” de plantão. É um ritmo que contagia, de forma dançante e que cativa famílias e os jovens.
Conversando com algumas pessoas pude confirmar minha “tese” de que as pessoas gostam principalmente de grupos que tem ampla exposição na mídia. Por exemplo, uma mulher chegou perto de mim e me perguntou:
- Jovem, qual é o nome deste grupo?
- É o Funk como Le Gusta.
- Ah, o Funk como Le Gusta. Legal, obrigada.
- Por nada.
Ela tirou a câmera digital de sua bolsa e começou a fotografar momentos do show e a dançar muito. Um grupo que ela conheceu naquela apresentação já foi digno de merecer espaço no HD do computador. Mostra a vontade por conhecer novos grupos e opções de sons.

Já outra pessoa, em vez de me perguntar o nome do grupo ouvi ela comentando com o marido ‘nossa, nunca vi este grupo no Faustão’. A assídua telespectadora só não conhecia o grupo porque não tinha visto no Faustão, mas será que algum outro programa global eles não apareceram?
Não acredito que o reconhecimento de uma banda se dê pela ampla exposição da mídia, e sim pelo desejo de procurar saber novas vertentes e novos sons. Tanto que cerca de 200 pessoas compareceram ao show gratuito e que vieram de outras cidades. Temos repúdio as vezes até pelo nome das bandas. E tem aquelas piadinhas também: ‘O que é Funk como Le Gusta? É de comer?’ E eu deixo uma pergunta: Antes da exposição da mídia o que eram “Calypso”, “Calcinha Preta”, “Tati Quebra Barraco” e tantos outros?
Somos acostumados a receber passivamente todas as informações despejadas nas nossas mentes, mas não somos acostumados a ser agentes ativos da sociedade e procurar coisas novas. É preciso mudar este cenário.